sábado, 2 de maio de 2009

Cá fora a vida continua igual a todos os dias. Os dias de meditação, os de execução, os de lazer ou os dias dos dias, que passam com luz.













Mas ir à praia de biquini está fora de questão!! São dezenas e dezenas de indianos surpresos por verem mulheres, assim, quase como vieram ao mundo! Param os que vieram conviver, param tambem aqueles que para tomar banho, alugam coletes salvavidas! sim, aqui é um negocio rentavel, tal é o medo vil dessa coisa grande chamado mar. Ondas então nem ve-las! Pára tudo para ver as senhoras entrarem sem temores naquelas aguas que nao acabam mais!! Nem precisaria dizer que fui a primeira vez e nao voltei... Com muita pena minha, ter o meu querido que me ir buscar dentro de água com a toalha, pois tal era a concentração de espectadores que tinha, foi algo que não me fez morrer de amores! Não deixa no entanto de ser tremendamente curioso;)



Milhões e milhoes de pastilhas de acrilico envolvendo folhas de ouro, cobrem a superficie deste lugar na terra, de admiração sem precedentes.



Antes de entrar, aguardamos pelo guarda (e co -fundador de Auroville) que nos acalma. Na verdade, "sets the mood" para aquela que seria uma das mais marcantes experiencias da minha vida.

Ouvi falar da filosofia desta comunidade. Querendo desacreditar, deixo-me levar. Descorre aquele homem nos seus 50, com ar de por quem nem 40 tinham passado: "Auroville belongs to nobody in particular. Auroville belongs to humanity as a whole. But to live in Auroville, one must be the willing servitor of the Divine Consciousness.
Auroville will be the place of an unending education, of constant progress, and a youth that never ages.
Auroville wants to be the bridge between the past and the future. Taking advantage of all discoveries from without and from within, Auroville will boldly spring towards future realisations.
Auroville will be a site of material and spiritual researches for a living embodiment of an actual Human Unity." Na pratica, tenho as minhas duvidas, mas deixo-me levar.

Entramos em grupo. Silencio. Absoluto silencio. Os gizos que tenho no tornozelo incomodam. São insurdecedores. São estridentes. Com um olhar fulminante sou chamada à atenção. Tenho que calçar estas meias brancas que me deram. Ninguem pronuncia uma palavra. Silencio absoluto. Estamos prontos e seguimos. Dois grupos são criados. Damos por nós num cenario "star wars" avermelhado, amplo, por onde seguimos e subimos numas escadas em caracol largas e difusas naquele espaço que se funde e se começa a tornar espiritual. A verdade sente-se. Os vitantes querem retrair-se mas rendem-se e libertam-se. Subimos qual rebanho em direcção ao topo, passo a passo. Lentamente subimos e observamo-nos com respeito. As regras, as regras que nunca ninguem nos as ensinou, as sabemos.

A porta abre-se e é tudo... Branco! A alcatifa é branca; as paredes esfericas são brancas; as colunas a cada 3 metros, brancas; as almofadas que marcam os nossos lugares, imaginem, brancas; mas esperem... algo ali no meio que não é branco, deixem-me passar, quero ver, é... é de cristal, é brilhante. Mas, vejo bem? Um feixe de luz? Sim, a câmara é iluminada por um unico feixe de luz que brota do tecto, incide na enorme esfera de cristal e encadeia por instantes.

Dou por mim a observar em redor. Há muita gente em transe, outros, como eu, tentam apenas entender aquele local. uma energia que não se explica, um fervor que não se entende. Extasiada com a surpresa e o detalhe, deixo-me aqui e ali, como que tentando ficar de alguma forma. Nada como isto se explica. Sente-se.

Matrimandir, o coração de Auroville.

Ainda hoje estou para interpretar o que lá dentro senti. Sabem que mais? Amei... Apenas isso.

As voltas que a vida dá!

Meio ano passou, e a minha vida continua a 1000. Olho para trás e sinto-me feliz. Tão feliz.

Na verdade, voltei, sim! Para quem me perdeu o rasto: voltei!

Vou continuar a contar passo a passo o que ficou para trás, com a distancia temporal e fisica, que não queria mas aqui fica, mais em tom de reportagem fotografica, os seguintes dias, dos meus 180 de viagem! Os detalhes, não os conto, mas as imagens aqui ficam!

Beijos e saudades aos que não vejo há tempos, aos que conheci em viagem (alguns dos quais reclamam eu não escrever em ingles) e se vao "desenrascando" com o seu espanholês arranhado e percebendo alguma coisa, ou pelo menos vendo as fotos e gargalhando. Mas eu sou portuguesa! O meu blog, é pois: em Português!

PS: ando em fase de retoma de contactos, agora que me decidi a ficar num país por uns tempos. Dêm noticias para combinarmos umas jantaradas!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um pequeno resumo das aventuras no Sri Lanka!

Quanto à musiquinha... No Comments!!!

Enjoy


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sri Lanka for my Birthday



Era o presente que eu queria. Ir ao Sri Lanka.
Após chuva e mais chuva em Auroville, quem não quer um pouco de Sol!



"Os primeiros europeus a visitarem o Sri Lanka foram os portugueses: Dom Lourenço de Almeida chegou à ilha em 1505, e encontrou-a dividida em sete reinos que guerreavam entre si, incapazes de derrotar um invasor. Os portugueses ocuparam primeiro a cidade de Kotte mas, devido à insegurança do local, fundaram a cidade de Colombo em 1517, e gradualmente estenderam seu controle pelas áreas costeiras." Na verdade, uma boa parte da população ainda se chama "da Silva" ou "Pereira"! Nomes próprios como José ou António também são faceis de encontrar. A nossa marca está normalmente na "fé" que deixámos instalar-se nos locais por onde fomos vagueando aquando dos Descobrimentos.



A sensação de termos voltado 100 anos no tempo era mais que real. Os comboios deixados pelos britânicos bem como a introdução do "(...) cultivo do chá, café e borracha nas montanhas da ilha. Em meados do século XIX o Ceilão já trouxera fortuna a uma pequena classe de plantadores de chá. Para trabalhar nas fazendas, os proprietarios importaram grande quantidade de trabalhadores tamis do sul da Índia, que logo chegaram a 10% da população."



Mas de resto foi tão bom apenas nos perdermos nas praias... E que praias...





O Sri Lanka tem também florestas tão ricas que seria um desperdicio mantermo-nos apenas nas praias. E assim fomos, 6horas de viagem para fazer pouco mais de 100km... As estradas são um caos e passamos por todos os "caminhos de cabras" nos entretantos. É, no entanto, interessante prestarmos atenção aos detalhes pelo caminho. As familias numerosas e criadas na rua, o peixe e a fruta à beira da estrada, as cabras e as pessoas, mais cabras e mais pessoas! Enfim, uma little india mas mesmo assim mais organizada e ligeiramente mais ocidental.



Na floresta em si, vale apenas ir ver os Leopardos e os pássaros de manha e flora e mais flora... Ir-se com um botânico é uma grande mais valia pois nos explicam as características das plantas onde muitas delas são medicinais. De resto, basta estarmos atentos aos pequenos animais que nos rodeiam... Alguns interessantes...



...outros uma autentica praga como os leeches!!! uma especie de sangue-sugas em formato de minhocas que entram para os nossos sapatos e nos mordem até estarem satisfeitas! Mas que no final até proporciona umas risadas porque elas não desistem!

O meu dia terminou com um belo vinho ao luar surpresa do meu querido, e claro, muitas prendinhas:)

A vida é bela

domingo, 12 de outubro de 2008

Vislumbres da Índia




"(...) modernidade e arcaísmo, luxo e pobreza, sensualidade e ascetismo,incúria e eficácia, mansidão e violência, pluralidade de castas e de línguas, deuses e ritos, costumes e ideias, rios e desertos, (...), cidades e lugarejos, a vida rural e industrial à distância de séculos no tempo e juntas no espaço."

Octavio Paz





Acreditam que ainda não formei a minha opinião? É tudo tão confuso que não chegamos a entender se nos fascina ou atormenta! Mas, e apesar de já ca estar há um mês, digo com toda a certeza: Não conheço nada da India. Dois grandes motivos explicam: 1) Este pais é tão denso, tão profundo e tão peculiar, que levaria uma vida inteira compleendê-lo a fundo; 2) tenho estado numa comunidade mais ou menos isolada ao pé da cidade de Pondicherry que se dá pelo nome de Auroville. Esta última, não menos excêntrica, irei falar sobre, em breve.




Mas aqui ficam algumas das imagens com as quais me tenho cruzado diariamente, e acreditem, fazem parte de uma India tão "limpinha" comparativamente com outras cidades, que não servirá nem para amostra.



E que dizer da população e das relações interpessoais?? Tããããããooo amigos!!!

Nota: é normal ver-se esta ajuda mutua muitas vezes entre uma mota que puxa mais 3 bicicletas desta forma. Tudo por uma camaradagem sincera!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Em direcção a Este, de novo!

Há pouco mais de um mes, estava de partida de Israel e acaminho de Portugal para uma breve pausa. A Faculdade e algumas questões medicas, mais ou menos importantes, assim o exigiram. Mais que isso, a minha vontade de estar com a familia assim o pediram.

Agora, estou a caminho da India!! O Filipe já lá está há um mes, e estará a minha espera quando chegar.

Do aeroporto de Istambul vos escrevo, com uma expectativa enorme acerca de um pais que para mim não tem fim, não tem limite, não acaba mais.

India, cresce na minha imaginação como exotico, cheio. Cheio de tudo e todos. Cheio, acima de tudo, de vida. Logo falarei se as expectativas se cumprem ou não. Acredito que se excedam.

Marco assim, o inicio de mais uma caminhada. Desta vez para mais de 10 paises Asiaticos, até Maio do proximo ano.

Beijos

BL